terça-feira, 31 de julho de 2018

Estudiantina

Rapazes e raparigas
vamos todos desfilar
pelas ruas de Barrancos
e nosso povo alegrar

Teu sotaque tão raiano
pelo mundo ecoará
estudiantina de Barrancos
novamente ouvirás

Cantaremos com amor
pela nossa tradição
pelas ruas de Barrancos
com ardor e emoção

Pela nossa estudiantina
vamos todos avançar
em 2019
o Carnaval animar

Estudiantina de Barrancos
vamos todos recriar
pois o passado de um povo
não podemos olvidar

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Há dias assim …5º capítulo de “ ECOS DE UMA VIDA “

Santo Aleixo, Santo Aleixo,
ela lá e eu aqui
os anjos do céu me levem
pra terra onde eu nasci

Com os pássaros do campo
eu me quero comparar
andam vestidos de penas
o seu alívio é cantar

Se as saudades matassem
já eu tinha falecido
elas não matam, mas doem
Fazem moer o sentido

Não pensem por eu cantar
Que a vida alegre me corre
Eu sou como o passarinho
Tanto canta até que morre

A voz de cristalina de Catarina entoava nos campos das Russianas, a sua voz irradiava felicidade e alegria. Lembrava a sua aldeia natal que as circunstâncias da vida a obrigou a deixar: agora havia Mariana e havia que zelar por ela e dar-lhe tudo que pudessem. Catarina era naturalmente alegre e contagiava tudo em seu redor era óbvio que naquela madrugada de Julho de 1958, a sinfonia da natureza juntava-se harmoniosamente à voz de Catarina. Dentro da malhada do tambor Mariana ainda dormia tranquila, aconchegada a Vicência que se preparava para deixar o catre e ir fazer o lume para fazer o café e pôr o jantarinho de grãos a cozer. Catarina e o seu genro daqui a pouco voltavam e tinham que comer alguma coisa para poderem enfrentar a labuta do resto do dia.
Na noite anterior Mariana tinha adormecido com a promessa que no outro dia iria á Pipa com Catarina buscar água montada na burra Lourença. Ela não sabia o que era, a sua avó tinha-lhe explicado que era uma fonte que corria pelas rochas e que a água vinha das profundezas da terra:
-Bu bu, mim té buu
-Amanhã bebes pelo cucharro que o pai te fez, agora são horas de ir dormir.
Vicência ao levantar-se sorriu ao ver a sua menina num sono profundo talvez a sonhar com a água fresca da Pipa, no seu rosto era visível um leve sorriso como, talvez estivesse a viver um sonho idílico.
Com todas as cautelas fez o lume .fez o café e pôs o jantar a cozer, lá fora ouvia-se Catarina e a passarada a chilrear enquanto Manuel se preparava para ir pastar o rebanho.
Estava na hora de ir procurar algo para aquecer o estômago e então entrou na malhada e já Vicência o esperava com um prato de fatias douradas e um café bem quentinho e apetitoso, entretanto apareceu catarina transpirada de tanta labuta:
-Manel vou á água antes que faça mais calma.
-Já aí vem o calor, vai ser um dia muito calmoso, vou despachar-me e sair com as cabras.
Todos os dias era a mesma labuta porque o gado tinha de sair bem cedo para o os serros e aproveitar a fresquidão da manhã, pois por volta do meio-dia o calor já abrasaria a terra e teriam de voltar para o acarro.
-Catrina tens de ir à água, já albardaste a burra?
-Já está pronta, só falta a menina que eu prometi-lhe levá-la á água.
-Parvoeiras que sabe ela!
Entretanto
- Mamãã, aboo
-Agora é que estamos arranjadas, vem comer que se faz tarde e têm de ir á água. 
- Dê-lhe leitinho e fatia que ela gosta.
Eram oito horas no velhinho relógio, eram horas de irem á Pipa lá partiu a burra Lourença com a sua preciosa carga e dois cântaros de barro nas aguadeiras para trazerem a água:
-Arre, Lourença que vamos à pipa com a nossa menina.
-Pi pa pi pa buu
Mariana com os olhos bem abertos observava tudo à sua volta. Tudo era tão belo! Tudo estava tão calmo!
Percorriam a vereda que as levaria a buscar aquele bem essencial e que a elas nem lhes passava pela cabeça que um bem tão abundante seria num futuro não muito longínquo um grave problema para a humanidade pela sua escassez, Catarina e Mariana, duas almas genuínas neste mundo já então sofisticado. Catarina tinha Mariana, tinha pão, tinha água, tinha paz, tinha amor, que mais poderia desejar?
Num mundo onde a globalização era uma miragem e que ela não chegaria a conhecer, ali no meio da natureza sentia-se livre como os passarinhos que voavam sem se cansarem mesmo contra o vento
Eis que de repente Lourença, assustou-se, deu um salto e deixou cair a carga os cântaros partiram-se e mãe e filha viram-se de repente no chão aturdidas e doridas.
-Mariana! Mariana!
-Mamã! Mamã! Medo!
-Não tenha medo que a mamã está aqui, agora não temos cântaros, vamos outra vez à malhada.
-Bu bu
-Cala-te, Mariana.
E lá se montaram na burra e voltaram para trás, ainda não seria aquele dia que Mariana iria ver a Pipa.
-Que se passa? Ai que desgraça! Valha-me Nossa Senhora das Necessidades que partiram os cântaros!
-Tenha calma que à menina não lhe passou nada e os cântaros eram velhos, tome lá a menina que eu vou sozinha agora, e os grãos já estão cozidos?
-Ai filha! Estão mais duros que pedras, não sei o que se passa, parece que o diabo anda com a gente, daqui a pouco vem o teu Manel valha-nos Deus! E o que comemos em cima?
- Logo em vindo faço uma tortilha barranquenha
-Vai já e que Nossa Senhora das necessidades te acompanhe, que não passe mais nada hoje, já chega de desgraças!
Lá abalou outra vez Catarina e eis que no mesmo sítio a burra zurra e dá um repinote ao ver no meio da vereda uma enorme cobra toda eriçada e com a língua de fora;” Não terá sido tua a culpa dos cântaros se terem partido?”, e contornou –a metendo a burra pelo mato e lá chegou á Pipa que nada tinha a ver com atualidade , apanhou os cântaros e subiu por  uns degraus esculpidos na rocha de uma maneira natural , com cuidado para não partir os vasilhame e a custo lá chegou ao cimo.
Quando voltou com a água para beber encontrou Vicência lavada em lágrimas:
-Que se passa!? Que se passa, meu Deus!?.
-Ai! os grões não se cozeram e ai minha vida o que come o teu Manel! Os cabrões estão duros como pedras e está uma pessoa para aqui degradada para ganhar esta porcaria.
-Mãe, eles se têm cozido das outras vezes, se calhar deixaram de ferver, eu tenho que estar em todo o lado, valha-me a nossa senhora! E a menina?
-Caiu fugindo atrás de uma galinha, apanhou um berrinhe e dormiu-se.
-Ai que a minha menina está toda encarnada e tem um arranhão na testa.
-É para que esteja quieta, não se faz caso de ninguém. Bem-feita, é para que aprenda.
Ouve-se O Manuel tossindo:
Mãe já aí vem o meu Manel vou fazer a tortilha.
-Vem sempre tossindo, mas não deixa de fumar, o mal que isso lhe faz e o dinheiro que se gasta.
-Mãe é uma distração não tem mais nada, não implique com ele com este calor.
Algum tempo depois:
- Que se passa com os grãos parecem pedras, não há quem os coma! Eu não os quero, só vou comer sopas e tortilha. Que porcaria! E a menina que lhe passou que está toda gatanhada?
-Bu bu bu
-Que tens Mariana, a menina está tão quente e tem umas manchas no corpo.
-Ai minha vida! Bebe e vamos mas é comer granitos.
-Pedras, dê-lhe sopas de pão e tortilha. Esqueceram-se da linguiça.
-Amanhã não faço o almoço porque não quero!
Saiu irada porta fora.” Uma pessoa neste ermo e tem de ouvir isto, se o meu bento vivesse, outro galo cantaria “
-BU bu bu mamã
-Só o que quer é água e está muito quente. A menina está doente.
Catarina apavorada exclamou:
-É sarampo. Que Deus nos valha! Temos que ir a Barrancos e levar a menina ao médico. Sarampo não é brincadeira!
-Ai, ai, ai, para onde me trouxeram! Para este fim do mundo! Ai, ai, ai
-Manel vai aparelhar a burra.
-Vais sozinha? Que vaia tu mãe contigo.
Lá se escarranchou na burra mais uma vez Catarina com a sua menina tremendo de frio naquele dia quente de Julho. O senhor doutor muito afável lá consultou Mariana e recomendou muito repouso e que não andasse ao vento pois o sarampo não era para brincar e deviam  ter muito cuidado com a menina que era muito pequenina. Após duas semanas os sintomas do sarampo eclipsaram. Mariana voltou a saltar e a fugir alegremente atrás das galinhas num passado tão distante onde a revejo de vestido de chita às bolinhas encarnadas ao lado da Sentida, respirando a beleza, a tranquilidade, o tédio do ambiente campestre. Aquele dia ficará na memória enquanto ela for gente e tiver neurónios para pensar e recordar.
Lourença, a pipa, a Sentida, valha-nos nossa senhora das necessidades e a sua avó com seu xaile de luto eterno, a maldita cobra e até o jantar de grões duros como pedras.
Que saudades desses momentos!
Que saudades das alegrias passadas!
Que saudades das agruras passadas!
Que saudades do já vivido!
Há dias assim…



terça-feira, 10 de julho de 2018

REPOSIÇÃO DE NOMES E FATOS

Nasceu na vila de Trastamires (actual Guilhabreu), junto à cidade do Porto. Como o apelido (nome de família) só aparece, em Portugal, por volta do século XV a XVI, filho de D. Mendo Gonçalves da Maia, 3.° Senhor da Maia, Rico-Homem, falecido depois de 1065, e de sua mulher Ledegunda Soares Taínha de Baião.
Mendes era patronímico (filho de Mem ou Mendo), pelo que não se pode dizer com propriedade que D. Gonçalo pertencia à família dos Mendes, tendo como irmãos D. Soeiro Mendes da Maia e D. Paio Mendes, arcebispo de Braga, e como irmã Doroteia Mendes da Maia, documentada em 1072, 1088 e 1102 e falecida depois dessa data, mulher de Pelaio Gutierriz, falecido depois de 1088.
Na mocidade, por sua fidalguia e afinidade espiritual, tornou-se um dos maiores amigos do primeiro rei de PortugalD. Afonso Henriques. A vontade férrea de D. Gonçalo e suas inúmeras e épicas conquistas no campo de batalha – em que o risco à vida era o eterno desafiante – granjearam-lhe o cognome de "O Lidador".
Foi, entre outras coisas, Rico-homem e fronteiro-mor do Alentejo.
Segundo a lenda popular, no dia em que comemorava 91 anos, Gonçalo Mendes estava na frente de uma batalha contra os muçulmanosem Beja, que estava a correr mal para o lado português. De repente, ganhou renovado vigor e, juntando um grupo de combatentes, atacou o inimigo. Este, ao ver um soldado envelhecido atacar com a força de um jovem, julgaram-se perante um acto mágico, o que lhes diminuiu o moral. Assim, um dos maiores líderes muçulmanos decidiu enfrentar Gonçalo Mendes, na esperança de reconquistar o moral das suas tropas. Apesar de gravemente ferido, Gonçalo Mendes conseguiu derrotar o seu adversário, com efeitos demolidores, pois o exército muçulmano, sem líder, desorganizou-se, pelo que as tropas portuguesas conseguiram ganhar a batalha.
Finda a batalha, Gonçalo Mendes terá sucumbido aos ferimentos.
Ainda hoje a cidade da Maia e os seus habitantes prestam homenagem ao seu heroi, sendo a mesma conhecida como a cidade do Lidador.
Outros afirmam ter nascido c. 1045 e sido morto na Batalha de Ourique, em 1139.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Reposição de nomes e fatos .



A 1 de Março de 1476, dava-se a Batalha de Toro, entre tropas portuguesas e castelhanas. Duarte de Almeida, o Decepado tornou-se célebre nesta Batalha pelo seu ato de valentia e patriotismo.
D. Afonso V, o Africano, defendia os direitos de sua sobrinha, Joana, a Beltraneja, ao trono de Castela, que era cobiçado por Isabel, irmã do pai de Joana, o falecido rei Henrique IV. Segundo se dizia, a mãe de Joana, a rainha de Castela Joana de Portugal, por sua vez irmã de D. Afonso V, havia engravidado de D. Beltrán de La­­ Cueva e não de seu marido. Assim, Joana, a Beltraneja, não seria filha do Rei e não podia herdar o trono. Apareceu assim como herdeira, Isabel de Castela (futura Isabel, a Católica). Passaram então a existir dois partidos de sucessão.
O rei português D. Afonso V pretendia casar-se com a sua sobrinha e, assim, juntar as duas coroas. As duas partes da contenda entraram em confronto. As tropas portuguesas dirigiram-se então para Castela, e estabeleceram a sua base na cidade de Toro, na margem norte do rio Douro. As forças portuguesas começaram a cercar a cidade de Zamora, onde se encontrava as tropas de Fernando de Aragão, marido de Isabel de Castela. Contudo, o cerco à cidade não teve os resultados pretendidos, pois D. Afonso V não conseguiu conquistá-la. Além disso, o rigor do Inverno levou o Rei português a voltar para Toro. Com o recuo das tropas portuguesas, Fernando de Aragão e as suas forças saíram de Zamora e perseguiram as forças de D. Afonso V, atingindo-as ao fim da tarde do dia 1 de março, a cerca de cinco quilómetros da cidade de Toro. Assim se deu a Batalha de Toro.
Na Batalha, as tropas castelhanas eram formadas por 4 grandes divisões, e as tropas portuguesas, apesar de reforçadas pelas do arcebispo de Toledo, do conde de Monsanto, do duque de Guimarães e do conde de Vila Real, estavam em desvantagem numérica. O combate durou cerca de três horas. No fim, os relatos parecem todos coincidir na afirmação de que as tropas de D. Afonso V debandaram em várias direções, não conseguindo suster assim o ataque das forças castelhanas.
Os homens sob o comando do rei português são perseguidos não só pelas tropas castelhanas, mas também pelos populares da região. Quando já se pensava na vitória castelhana, ocorreu uma reviravolta na batalha. As forças portuguesas estavam divididas em dois grupos e só um deles tinha sido atacado. O outro, comandado pelo filho do rei português, o príncipe D. João (futuro D. João II), se reorganizou e voltou a investir sobre as forças castelhanas, desbaratando o inimigo. Embora se defenda que o resultado da batalha foi inconclusivo, o que é correto afirmar é que as forças castelhanas conseguiram um sucesso temporário, pois numa 2ª fase, Portugal venceu a disputa. Contudo, após a Batalha, D. Afonso V percebeu que Portugal não tinha forças e nem apoios suficientes para garantir os direitos de Joana, a Betraneja à coroa de Castela, assim se desistiu da guerra. D. Joana foi então exilada para Portugal pelo tratado de paz assinado entre os países ibéricos, passando a ser oficialmente tratada por Excelente Senhora.
Foi nesta Batalha que surgiu um herói português, muitas vezes esquecido, Duarte de Almeida. Este era o alferes-mor de D. Afonso V e, por isso, a quem estava confiado o estandarte das tropas portuguesas. Assim, no meio do combate, Duarte de Almeida, após o estandarte ter caído ao chão, empunhou de novo a bandeira e defendeu-a com determinação. Porém, um castelhano cortou-lhe a mão direita, mas indiferente à dor, Duarte de Almeida, empunhou de novo o estandarte com a esquerda, a qual viria também a ser decepada. Já sem mãos, mas querendo manter o estandarte no ar, Duarte de Almeida empunhou-o com os dentes e resistiu sempre até que foi rodeado de castelhanos, vindo a cair moribundo. Entretanto o castelhano Sotto Mayor apoderou-se da bandeira por alguns instantes, mas o escudeiro Gonçalo Pires conseguiu arrancá-la do inimigo, num ato de heroísmo admirado pelas tropas rivais. Duarte de Almeida, que ganhou então a alcunha do Decepado, não faleceu na Batalha, sendo levado depois pelas tropas inimigas para ser tratado em Zamora. Em Castela, o seu ato heroico valeu-lhe o respeito e a admiração de todos, até os próprios Reis Católicos mandaram colocar as armas de Duarte de Almeida na capela real da Catedral de Toledo. Passados 6 meses, Duarte de Almeida regressou a Portugal, onde viveu no Castelo de Vilharigues, não tendo as homenagens e o reconhecimento português que teve em Castela. Morreu pobre e quase esquecido, apesar do seu ato de valentia e bravura.´

Na história de Portugal
Seu nome ficou gravado
Dom Duarte de Almeida
Nome heróico : o Decepado 
.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Local De Celebração


Santo António já passou                                                       
Resultado de imagem para praça da liberdade em barrancosO São Pedro irá passar
São João fica comigo
Eu contigo quero brincar
               II
As touradas em Agosto
Como manda a tradição
No Natal grande fogacho
No centro da povoação
             III
Para aquecer o menino
Senhora da Conceição
Cantando  vamos  rezando
Com amor e devoção
              IV
Na praça da liberdade
Há festa, há arraial
É gente com  repichuchi
É Verão em Portugal
               V
A praça da Liberdade
Local de celebração
Que seja assim no futuro
Senhora da Conceição





quinta-feira, 14 de junho de 2018

VELHO MONTE


Ponto
Tenho saudades do monte
Do cantinho onde vivi
Do ribeirinho e da fonte
Da água fresca da fonte
Tantas vezes lá bebi
Ponto
Há montes no Alentejo
Que eu conheço muito bem
Eram todos habitados
Hoje estão desprezados
Já não mora lá ninguém
Moda:
               I
Velho monte alentejano
Numa herdade abandonado
Fica à beira de uma fonte
Hoje não se vê o monte
Que está dentro do silvado
               II
Lá naquele velho monte
Havia tanta riqueza
Já nada é como era
Já ninguém cultiva a terra
cada vez há mais pobreza

             III
Já não se vêm ganhões
À volta com seus arados
Já nada é como antes
Já não se ouvem patrões
A falar com seus criados
IV
Não ouço o galo cantar
Não ouço o ladrar do cão
Nem os chocalhos do gado
Vejo tudo abandonado
Faz doer o coração
V
Eu do monte vim embora
Não podia lá viver
Uma noite pude ouvir
Era o meu monte a cair
Nunca mais me vou esquecer






VELHO MONTE ALENTEJANO

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Ecos de uma Vida-3º capítulo


Bom dia, bom dia.
O dia está a clarear.
Há muita calma e aromas campestres e estamos na malhada do Tambor, é dia 25 de Abril de 1958 e o chilrear dos passarinhos soa nas árvores como numa sinfonia num dia tão marcante para Mariana que ainda dorme. É o dia muito especial: o baptizado de Mariana, Manuel , Catarina e Vivência já estão na labuta , a ordenha das cabras , amamentação das crias , pois hoje é dia de festa vão finalmente baptizar a sua menina na capela do Monte das Arrancadas que após a santa missa o pároco de Barrancos realizará a cerimónia perante os parentes e os padrinhos que são os patrões dos seus pais que tinham vindo para aqui tratar de um rebanho de cabras um ano após o nascimento de Mariana.( Era assim a vida do pobre!)Nesse dia alguém se ofereceu para fazer a trajectória do pastoreio do rebanho(solidariedade , apenas isso), portanto Manuel podia assistir e desfrutar do evento que terminaria com um almoço oferecido pelos padrinhos.
Às 11 horas eis Mariana angelicalmente , vestida de branco de branco ao colo de Catarina com a sua avó e o seu pai assistiam à santa missa, após a qual Mariana receberia a benção de ser filha desse Deus que quis que ela sobrevivesse quando foi alimentada por Vicência com uma gema de ovo(alimento muito nutritivo para uma bebé recém nascida??);( Foi Deus que assim o quis), que Mariana chupou com sofreguidão agarrando-se à vida,( Bendita gema de ovo!)
A sensação de desconforto percorreu a espinha dorsal da menina quando sentiu a água gelada na sua cabeça e chorou forte pois não compreendia o que tinha acontecido, enquanto o padre Agostinho dizia:
-Eu te abençou Mariana neste momento que os teus pais e padrinhos sejam testemunhas e te amparem no percurso espinhoso da vida.
Mariana sorrio confortada com o amor que sentia à sua volta ( Mariana era pobre mas tinha amor à  farta).

Uma voz  chamou .
-Catrina vem ao telefone.
-Que é?
- É um João.
-Ai o meu irmão! Ai o meu irmão!
-Ai João , ai João!
-Então mana tem calma que está tudo bem.Só te quero dar os parabéns pelo baptizado  da pequerrucha.
-Tão bom ouvir a tua fala.
-então gostam de estar aí perto de Barrancos tu entendes os barranquenhos?
-Há que estar onde ganhemos a vida aqui é tudo gente boa depois azeite , os grãos e a farinha, as nossa galinhitas sempre temos ovos, tens que vir cá tu e o mano.
-Então não ganham dinheiro?
-Só 100$00, os acertos se fazem anualmente quando se vendam os chibos.
-Dá beijinhos à mãe e um abraçam a meu cunhado.
-Obrigado, Beijinhos
Naquela noite fria de Abril junto ao lume os pais de Mariana embevecidos sua menina adormecida no berço sorriram enquanto lágrimas de felicidade deslizavam pelas suas faces( tanta felicidade naquele espaço humilde!),(É ilusório pensar que para haver felicidade tem de haver riqueza);( filosoficamente pergunto : o que se entende por riqueza?), enquanto lá fora a alguns metro dali no alto do serro os lobos uivam; uivos famintos com a presas ali tão perto e inacessíveis pois a Sentida não dormia , sempre vigilante para atacar e dando alerta em defesa do seu rebanho.
Ainda hoje recordas com saudade aquele cão tão valente e tão meigo que lambia minhas lágrimas quando das minhas birras, ainda vejo o seu pelo amarelo esvoaçar ao vento, recordo o dia que tu ficaste doente e olhavas os meus olhos como que implorando que te ajudasse que não te deixasse partir , e eu pobre criança que podia fazer , se eu própria vou partir um dia?(Ainda choro por ti minha linda, minha Sentida!)
Sinto saudades da malhada do Tambor onde passei parte da minha infância, tenho saudades da fonte que estava no meio do silvado e que hoje já secou e até a malhada do tambor deve ser um entulho de ruínas

Tenho saudades das minhas vivências!
Tenho saudades da fonte
e do lugar onde então vivi
constato com tristeza
foi tão belo o que perdi
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quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ecos de Uma Vida-2º Capitulo

A dor foi comum ao povo daquela pequena aldeia , rezam as crónicas que Maria Sena teve um funeral imponente( se é que pode haver funerais imponentes;? ), um funeral digno de uma princesa , todos a acompanharam, na sua última viagem terrena.
Vicência e Bento impotentes perante o mundo e dilacerados por aquela dor tamanha que não se pode medir pelas leis da matemática.Olhando com determinação os três filhos : Bento Catarina e João , era preciso continuar , cambaleando mas continuaram.!
Agora Catarina estava grávida no último mês de gestação e Vicência pedia a Deus que a filha tivesse uma hora pequenina.
A 18 de Janeiro de 1957 o céu estava carregado com uma nuvens esquisitas esbranquiçadas , no ar sentia-se uma calma anormal , Catarina pressentiu que o bebé se preparava para deixar a zona de conforto e vir para o desconhecido.
Ao princípio da noite começou a nevar e simultaneamente Catarina sentiu as primeiras dores: Mariana vinha aí!
Não estava sendo fácil para Catarina pois já não tinha 20 anos e as forças faltaram-lhe e as dores dilaceravam o seu ventre.
Vicência embrulhada no seu xaile de luto eterno , correu aflita pelas ruas a chamar o médico recém formado que ajudasse a sua filhinha e a sua netinha.:
-Truz , truz
-Que se passa , prima Vicência?
-Por favor , senhor doutor , acuda que a minha filha se pôs doente e  o bebé vai nascer.
-Só um minuto , vaia indo que eu vou lá ter.
-Não demore senhor doutor que a minha filha está muito mal.
Trinta minutos depois , o jovem médico sacudia a neve da gabardina e entrou naquela humilde casa, receoso perante uma realidade: o primeiro parto esperava-o .Olhando o céu avançou com determinação.
Catarina ofegante sofria as dores dilaceravam o seu corpo de mulher , e após uma noite de luta constante , Mariana foi tirada a ferros e emitiu um débil choro , mas Mariana estava viva , a primeira batalha tinha sido ganha , a história de Mariana ficou entrelaçada na história do médico que tinha amadurecido naquela noite de Inverno e deu passos firmes numa carreira brilhante que mais tarde foi uma evidência.
Às oito da manhã do dia 19 de Janeiro de 1957 . Mariana entru nesta selvs com muito amor e calor humano e" gemas de ovos" à mistura , a bebé assim como a sua mãe estavam bem
Mais uma página virada no livro da vida , um futuro promissor vinha aí , o mundo deu as boas vindas a Mariana que o agarrou com sofreguidão.
Santo Aleixo da Restauração tinha mais um habitante.
Comentários

ECOS DE UMA VIDA -CAPÍTULO PRIMEIRO


Estávamos em Dezembro de 1956,,, precisamente , algures numa aldeia perdida na imensidão da vasta província alentejana. Dia 24 de Dezembro, Vicência e Catarina preparavam mais uma fornada, o forno de lenha já estava quente e Catarina com toda a destreza tendia o último pão.
    Vicência  pensativa   olhava a filha com apreensão ajudando-a a meter o pão no forno, enquanto que no ventre de Catarina , nova vida palpitava preparando-se para atravessar o túnel que a traria à selva que é o nosso mundo.Catarina  já tinha mais de trinta anos  , acariciando a barriga sorrio pensando no rebento  que trazia no seu seio “ Será menino? Será menina?Não interessa o que é preciso é que venha com saúde”.
     Vicência olhando Catarina  pensava nas três filhas  que Deus tinha levado há uns bons anos atrás : Catarina tinha sete aninhos apenas quando a maldita tosse convulsa a arrancou dos braços de sua mãe. Passados pouco tempo a morte tornou a passar por ali levando Maria Sena , um anjinho com 4 meses  apenas de vida. Vicência em desespero questionava-se olhando o céu –Porquê , meu Deus ? Porquê?
Que triste sina a de Vicência! Sentia-se abandonada pelo Senhor!
Abraçando o seu marido  e olhando o seu único filho , prometeram ultrapassar  tudo de mau que estavam vivendo e cambaleando enfrentaram a vida e seguiram em frente.
Deus abençoou o casal e nasceram Maria Sena  , Catarina e João e  a alegria voltou  àquele lar, os anos foram passando até que uma tarde mau presságio assombrou  o ambiente enquanto se ouviam os cães uivando e Vicencia olhando a Maria  Sena  já com doze anos e nem imaginando o que ainda a esperava exclamou : Vai morrer o primo Zé que está muito mal. Enigmaticamente  Maria Sena  Maria Sena exclamou:-Só Deus sabe, mãe , só Deus sabe!
Naquela noite João o benjamim  da família deitou-se com a mana Sena e durante a noite teve sede e pediu água como a mana não respondeu começou a chorar.Vicência que tinha um baile em casa acudiu ao choro do filho e eis que se depara com a sua linda e querida filha inerte , já sem vida  , tinha finado durante o sono. Uma dor dilacerante atravessou –lhe o peito e um grito do tamanho do mundoecoou naquela casa:-Bento , ai Bento , a nossa filhinha , a nossa Maria Sena está morta. Bento ficou sem chão , imóvel e impotente perante a vida que bastante madrasta tinha sido com ele e agora a sua filhinha já moça, tão linda, tão perfeita tinha partido e nunca mais a veria.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

QUEM SOU EU?

Sou um barco à deriva que navega sem destino neste mundo conturbado onde tudo ´incerteza Sou um peregrino ansioso caminho ao sabor do vento embalado pelas ondas que amainam meus pensamentos Caminho pelo mundo que eu não poderei salvar os grilhões desta vida estão-me a sufocar, sufocar , sufocar A caminhada é tão longa a existência tão breve precisava cem mil anos p`ra viver tudo o que quero És passado , és futuro és presente simplesmente és tudo isto neste momento não , não és nada tu já cá não estás a vida se esvai de repente... Se esvazia como um balão perante teu olhar cansado tu queres mas já não podes consola-te com as memórias de um passado tão suave que embalou ua vida em tempos que já lá vão Em tempos que já lá vão e não voltarão jamais aos teus tempos de menina quando ainda tinhas pais que te amavam , que te amavam sem nada pedir em troca que te amavam, que te amavam é tão ser amado assim

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

PORQUE...

Porque Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não. Sophia de Mello Breyner Andresen Fascinante este poema de Sofia que acaba por ser um hino à resistência daqueles que não se conformam com as desigualdades que já no seu tempo (século passado ) , eram notórias na sociedade.Sofia foi sensível e através da poesia mostrou o desejo de uma mudança radical onde o ser humano seja cada vez mais igual , onde não haja pessoas fugindo da guerra e da fome.Sofia acreditava num mundo onde o verdadeiro significado da palavra solidariedade fosse uma constante de amor e fosse banida para sempre a caridadezinha que nos faz cada vez mais desiguais. O ser humano nasceu livre e tem direito à liberdade plena na terra sem tabus nem grilhões.

PRESENTE ENVENENADO

Os portugueses foram presenteados com um chorudo presente no sapatinho. Mais um banco nacional que caiu e mais uma vez vão ser os contribuintes a pagar a fatura. Têm sido casos atrás de casos e a geringonça continua, abrem-se inquéritos e fica tudo na mesma , ninguém é responsabilizado., compensando o crime e uma minoria continua prevaricando sem castigo com toda a impunidade deste mundo. E o povo português continua pagando a as irresponsabilidades dos sucessivos governos que têm " desgovernado " Portugal há décadas. Este caminho não nos leva a bom porto , não é justo que os portugueses paguem por actos praticados por terceiro. Exige-se transparência a todos os níveis na sociedade , pois o buraco cada vez é mais maior , não tem fundo. A dignidade dos portugueses merece muito mais respeito , . Merecemos sinais que as coisas vão mudar . Merecemos sinais para acreditar na política e nos políticos cada vez mais desacreditados pela opinião pública. Falar menos e fazer mais é o caminho a seguir. desce , desce meu amigo do teu mundo virtual diz- me se ainda vês nosso querido Portugal Minha pátria lusitana minha pátria amordaçada vejo-ã triste e cativa pela Europa comandada Sorrio perante a evidência de um certeza afinal enquanto houver portugueses serás sempre Portugal.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MENSAGEM URBI ET ORBI DO PAPA FRANCISCO NATAL 2013 Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013 «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14). Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, bom dia e feliz Natal! Faço meu o cântico dos anjos que apareceram aos pastores de Belém, na noite em que nasceu Jesus. Um cântico que une céu e terra, dirigindo ao céu o louvor e a glória e, à terra dos homens, votos de paz. Convido todos a unirem-se a este cântico: este cântico é para todo o homem e mulher que vela na noite, que tem esperança num mundo melhor, que cuida dos outros procurando humildemente cumprir o seu dever. Glória a Deus. A primeira coisa que o Natal nos chama a fazer é isto: dar glória a Deus, porque Ele é bom, é fiel, é misericordioso. Neste dia, desejo a todos que possam reconhecer o verdadeiro rosto de Deus, o Pai que nos deu Jesus. Desejo a todos que possam sentir que Deus está perto, possam estar na sua presença, amá-Lo, adorá-Lo. Possa cada um de nós dar glória a Deus sobretudo com a vida, com uma vida gasta por amor d’Ele e dos irmãos. Paz aos homens. A verdadeira paz – como sabemos – não é um equilíbrio entre forças contrárias; não é uma bela «fachada», por trás da qual há contrastes e divisões. A paz é um compromisso de todos os dias, mas a paz é artesanal, realiza-se a partir do dom de Deus, da graça que Ele nos deu em Jesus Cristo. Vendo o Menino no presépio, Menino de paz, pensamos nas crianças que são as vítimas mais frágeis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres maltratadas, nos doentes... As guerras dilaceram e ferem tantas vidas! Muitas dilacerou, nos últimos tempos, o conflito na Síria, fomentando ódio e vingança. Continuemos a pedir ao Senhor que poupe novos sofrimentos ao amado povo sírio, e as partes em conflito ponham fim a toda a violência e assegurem o acesso à ajuda humanitária. Vimos como é poderosa a oração! E fico contente sabendo que hoje também se unem a esta nossa súplica pela paz na Síria crentes de diversas confissões religiosas. Nunca percamos a coragem da oração! A coragem de dizer: Senhor, dai a vossa paz à Síria e ao mundo inteiro. E convido também os não crentes a desejarem a paz, com o seu anelo, aquele anelo que alarga o coração: todos unidos, ou com a oração ou com o desejo. Mas todos, pela paz. Ó Deus Menino, dai paz à República Centro-Africana, frequentemente esquecida dos homens. Mas Vós, Senhor, não esqueceis ninguém e quereis levar a paz também àquela terra, dilacerada por uma espiral de violência e miséria, onde muitas pessoas estão sem casa, sem água nem comida, sem o mínimo para viver. Favorecei a concórdia no Sudão do Sul, onde as tensões actuais já provocaram demasiadas vítimas e ameaçam a convivência pacífica naquele jovem Estado. Vós, ó Príncipe da Paz, convertei por todo o lado o coração dos violentos, para que deponham as armas e se empreenda o caminho do diálogo. Olhai a Nigéria, dilacerada por contínuos ataques que não poupam inocentes nem indefesos. Abençoai a Terra que escolhestes para vir ao mundo e fazei chegar a um desfecho feliz as negociações de paz entre Israelitas e Palestinianos. Curai as chagas do amado Iraque, ferido ainda frequentemente por atentados. Vós, Senhor da vida, protegei todos aqueles que são perseguidos por causa do vosso nome. Dai esperança e conforto aos deslocados e refugiados, especialmente no Corno de África e no leste da República Democrática do Congo. Fazei que os emigrantes em busca duma vida digna encontrem acolhimento e ajuda. Que nunca mais aconteçam tragédias como aquelas a que assistimos este ano, com numerosos mortos em Lampedusa. Ó Menino de Belém, tocai o coração de todos os que estão envolvidos no tráfico de seres humanos, para que se dêem conta da gravidade deste crime contra a humanidade. Voltai o vosso olhar para as inúmeras crianças que são raptadas, feridas e mortas nos conflitos armados e para quantas são transformadas em soldados, privadas da sua infância. Senhor do céu e da terra, olhai para este nosso planeta, que a ganância e a ambição dos homens exploram muitas vezes indiscriminadamente. Assisti e protegei quantos são vítimas de calamidades naturais, especialmente o querido povo filipino, gravemente atingido pelo recente tufão. Queridos irmãos e irmãs, hoje, neste mundo, nesta humanidade, nasceu o Salvador, que é Cristo Senhor. Detenhamo-nos diante do Menino de Belém. Deixemos que o nosso coração se comova: não tenhamos medo disso. Não tenhamos medo que o nosso coração se comova! Precisamos que o nosso coração se comova. Deixemo-lo abrasar-se pela ternura de Deus; precisamos das suas carícias. As carícias de Deus não fazem feridas: as carícias de Deus dão-nos paz e força. Precisamos das suas carícias. Deus é grande no amor; a Ele, o louvor e a glória pelos séculos! Deus é paz: peçamos-Lhe que nos ajude a construí-la cada dia na nossa vida, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, no mundo inteiro. Deixemo-nos comover pela bondade de Deus. Votos de um Natal feliz no termo da Mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre A vós, queridos irmãos e irmãs, vindos de todo o mundo e reunidos nesta Praça, e a quantos estão em ligação connosco nos diversos países através dos meios de comunicação, dirijo os meus votos de um Natal Feliz! Neste dia, iluminado pela esperança evangélica que provém da gruta humilde de Belém, invoco os dons natalícios da alegria e da paz para todos: para as crianças e os idosos, para os jovens e as famílias, para os pobres e os marginalizados. Nascido para nós, Jesus conforte quantos suportam a prova da doença e da tribulação; sustente aqueles que se dedicam ao serviço dos irmãos mais necessitados. Feliz Natal para todos!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

HERODES

"Era uma vez, lá na Judeia, um rei. Feio bicho, de resto: Uma cara de burro sem cabresto E duas grandes tranças. A gente olhava, reparava e via Que naquela figura não havia Olhos de quem gosta de crianças. E, na verdade, assim acontecia. Porque um dia, O malvado, Só por ter o poder de quem é rei Por não ter coração, Sem mais nem menos, Mandou matar quantos eram pequenos Nas cidades e aldeias da nação. Mas, por acaso ou milagre, aconteceu Que, num burrinho pela areia fora, Fugiu Daquelas mãos de sangue um pequenito Que o vivo sol da vida acarinhou; E bastou Esse palmo de sonho Para encher este mundo de alegria; Para crescer, ser Deus; E meter no inferno o tal das tranças, Só porque ele não gostava de crianças."

quarta-feira, 31 de julho de 2013

DISCRIMINAÇÃO

Ouvi há dias uma narração insólita sobre um indivíduo sul africano que há bastante tempo está a viver na Nova Zelândia onde foi muito bem aceite apesar dos seus 160kg quando ali chegou .Recentemente foi-lhe negado a renovação do visto de permanência e é confrontado com a obrigatoriedade de abandonar o país onde deixou a juventude,alegando as autoridades competentes o excesso de peso; 130kg que prejudica o rendimento no trabalho.A quem passou muitos anos de vida ali ,é escorraçado de uma maneira estúpida. Semelhantes atitudes são impensáveis. Para onde estamos a caminhar? Onde estão os valores que devem ser a base de uma convivência sã entre os humanos? Dizem e é um facto ; o mundo está doente. Onde estamos nós? -Em pleno século XXI ? ou -Estaremos nós na pré história muito antes da descoberta do fogo. Casos que não deveriam acontecer , infelizmente são uma realidade pelo número assustador em que o Homem desrespeita o seu semelhante . É a lei da selva , é este o nosso mundo. É nosso dever contribuir com as nossas atitudes e atos, fazer com que possamos tornar o ambiente em nosso redor mais suave , desvalorizando e sendo tolerante com o outro .

segunda-feira, 29 de julho de 2013

ESTRELA DA TARDE

Era a tarde mais longa de todas as tardes Que me acontecia Eu esperava por ti, tu não vinhas Tardavas e eu entardecia Era tarde, tão tarde, que a boca, Tardando-lhe o beijo, mordia Quando à boca da noite surgiste Na tarde tal rosa tardia Quando nós nos olhamos tardamos no beijo Que a boca pedia E na tarde ficamos unidos ardendo na luz Que morria Em nós dois nessa tarde em que tanto Tardaste o sol amanhecia Era tarde demais para haver outra noite, Para haver outro dia. (Refrão) Meu amor, meu amor Minha estrela da tarde Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza Se tu és a alegria ou se és a tristeza. Meu amor, meu amor Eu não tenho a certeza. Foi a noite mais bela de todas as noites Que me aconteceram Dos noturnos silêncios que à noite De aromas e beijos se encheram Foi a noite em que os nossos dois Corpos cansados não adormeceram E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram. Foram noites e noites que numa só noite Nos aconteceram Era o dia da noite de todas as noites Que nos precederam Era a noite mais clara daqueles Que à noite amando se deram E entre os braços da noite de tanto Se amarem, vivendo morreram. (Refrão) Eu não sei, meu amor, se o que digo É ternura, se é riso, se é pranto É por ti que adormeço e acordo E acordado recordo no canto Essa tarde em que tarde surgiste Dum triste e profundo recanto Essa noite em que cedo nasceste despida De mágoa e de espanto. Meu amor, nunca é tarde nem cedo Para quem se quer tanto

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Pinta um angel niegro

Pintor que nasceste na minha terra com o pincel estrangeiro pintor que segues o exemplo de tantos pintores antigos embora a virgem seja branca porque não pintas angelitos negros também vão para o céu todos os negritos bons Pintor se pintas com amor porque desprezas a sua cor tu sabes que no céu também os quer Deus Pintor de santos e alcovas se você tem alma no corpo porque ao pintar se esquece dos negros Sempre anjos belos pintas mas nunca pensaste em pintar um anjo negro um anjo negro.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

HOMILIA DO IRMÃO FRANCISCO





Inmigrantes muertos en el mar, aquellos barcos que en vez de ser una vía de esperanza fueron una vía de muerte'. Así titulan los periódicos. Cuando hace algunas semanas supe esta noticia, que lamentablemente otra vez un barco había naufragado, el pensamiento me volvía continuamente como una espina en el corazón que me traía sufrimiento. Y entonces sentí que tenía que venir hoy aquí a rezar. A cumplir un gesto de cercanía, pero también para despertar a nuestras conciencias. Para que lo que sucedió no se repita, no se repita, por favor.
Antes querría decir algunas palabras de sincera gratitud y aliento a ustedes habitantes de Lampedusa y Linosa, a las asociaciones, a los voluntarios y a las fuerzas de seguridad, que han mostrado y atienden a estas personas en los viajes hacia algo mejor. Ustedes son una pequeña realidad pero que ofrece un ejemplo de solidaridad. ¡Gracias!
Gracias también al arzobispo Mons. Afranceso Montenegro, por su ayuda, su trabajo y su cercanía pastoral. Saludo gentilmente al alcalde, señora Giusi Nicolini, por lo que hace.
Un pensamiento va a los queridos inmigrantes musulmanes que esta noche inician el ayuno del ramadán. Con el deseo de abundantes frutos espirituales. La Iglesia les está cerca en la búsqueda de una vida más digna para ustedes y vuestras familias, a ustedes 'Osha'.
Esta mañana a la luz de la palabra de Dios que hemos escuchado querría proponer algunas palabras que sobre todo provoquen a la conciencia de todos, empujen a reflexionar y a cambiar concretamente ciertas actitudes.
¿Adán, dónde estás? Es la primera pregunta que Dios le hace al hombre después del pecado. ¿Dónde estás Adán? Adán es un hombre desorientado, que perdió su lugar en la creación porque cree que se ha vuelto potente, de poder dominar todo, de ser Dios.
Y la armonía se rompe el hombre se equivoca y esto se repite también en la relación con el otro que no es más el hermano que hay que amar, sino simplemente el otro que molesta mi vida, mi bienestar.
Y Dios pone la segunda pregunta: ¿Caín dónde está tu hermano? El sueño de ser potente, de ser grande como Dios, o peor, de ser como Dios, lleva a una cadena de equivocaciones que es cadena de muerte, lleva a derramar la sangre del hermano.
Estas dos preguntas de Dios resuenan también hoy con toda su fuerza fuerza. Tantos, entre nosotros, y me incluyo también yo, estamos desorientados, no estamos más atentos al mundo en el que vivimos, no cuidamos lo que Dios creó para todos y no somos ni siquiera capaces de cuidarnos los unos a los otros. Y cuando esta desorientación asume las dimensiones del mundo se llega a tragedias como aquella a la que hemos asistido.
¿Dónde está tu hermano? La voz de su sangre grita hasta mi, dice Dios. Esta no es una pregunta dirigida a los otros, es una pregunta dirigida a mi, a ti, a cada uno de nosotros.
Aquí nuestros hermanos y hermanas trataban de salir de situaciones difíciles para encontrar un poco de paz y serenidad, buscaban un lugar mejor para ellos y para sus familias, pero han encontrado la muerte. ¡Cuántas veces quienes buscan esto no encuentran comprensión, acogida y solidaridad! ¡Y sus voces suben hacia Dios!.
“¿Dónde está tu hermano? Quién es el responsable de este sangre? En la literatura española hay una comedia de Lope de Vega, que narra como los habitantes de la ciudad de Fuente Ovejuna asesinan al Gobernador porque es un tirano, y lo hacen de tal manera que no se sepa quién ha cumplido la ejecución.
Y cuando el juez del rey pide: '¿Quién ha asesinado al gobernador?' todos dicen: 'Fuente Ovejuna, Señor'.
¡Todos y nadie! También hoy esta pregunta emerge con fuerza: ¿Quien es el responsable de la sangre de estos hermanos y hermanas? ¡Nadie! Todos nosotros respondemos así: no, no soy yo, yo no tengo nada que ver, serán otros, no seguramente yo. Pero Dios nos pide a cada uno de nosotros: ¿Dónde está la sangre de tu hermano que grita hasta mi'?
Hoy nadie se siente responsable de esto; hemos perdido el sentido de la responsabilidad fraterna; hemos caído en la actitud hipócrita del sacerdote y del servidor del altar, del que habla Jesús en la parábola del Buen Samaritano.
Miramos al hermano medio muerto en el costado del camino, quizás pensamos: pobrecito, y seguimos por nuestro camino, no es nuestra tarea; y con esto nos sentimos bien.
La cultura del bienestar, que nos lleva a pensar en nosotros mismos, nos vuelve insensibles a los gritos de los otros, nos hace vivir en burbujas de jabón, que son lindas, pero no son nada, son ilusión de lo superficial, de lo provisorio, que lleva a la indiferencia hacia los otros. Más aún, lleva a la globalización de la indiferencia. ¡Nos hemos acostumbrado al sufrimiento del otro, no tenemos nada que ver, no nos interesa, no es mi problema!
Y vuelve la figura del 'innombrable de Manzoni'. La globalización de la indiferencia nos vuelve a todos 'innombrables', responsables sin nombre y sin rostro.
'Adán, dónde estás? ¿Dónde está tu hermano?, son las dos preguntas que Dios pone al inicio de la historia de la humanidad y que dirige también a todos los hombres de nuestro tiempo, también a nosotros.
Pero quisiera que nos planteáramos una pregunta: '¿Quien de entre nosotros ha llorado por este hecho o por hechos como este?, ¿por la muerte de estos hermanos y hermanas? ¿Quién ha llorado por estas personas que estaban sobre la barcaza? ¿Por las jóvenes madres que llevaban a sus niños? ¿Por estos hombres que deseaban algo para apoyar a sus familias? ¡Somos una sociedad que ha olvidado la experiencia de llorar, del 'sufrir con': ¡es la globalización de la indiferencia! En el evangelio hemos escuchado el grito, el llanto, el gran lamento: 'Raquel llora a sus hijos... porque no están más'. Herodes ha sembrado muerte para defender su propio bienestar, la propia burbuja de jabón. Y esto sigue repitiéndose.
Pidamos al Señor que borre lo que de Herodes ha quedado también en nuestro corazón. Pidamos al Señor la gracia de llorar nuestra indiferencia, la crueldad que hay en el mundo, en nosotros, también en quienes en el anonimato toman decisiones socio-económicas que abren la calle a dramas como este. '¿Quién ha llorado?'
Señor, en esta que liturgia que es una liturgia de penitencia, pedimos perdón por la indiferencia hacia tantos hermanos y hermanas. Te pedimos perdón por quien se ha acomodado, por quien se ha cerrado en su propio bienestar que lleva a la anestesia del corazón. Te pedimos perdón por aquellos que con sus decisiones a nivel mundial han creado situaciones que llevan a este drama.
'¿Adán, dónde estás?' '¿Dónde está la sangre de tu hermano?'. Amen.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

FELIZ ANIVERSÁRIO



Há três anos atrás nasceu a "avozdemaria".Foi no dia 1 de Julho de 2009 , nessa altura estava ocupada frequentando uma formação na área da informática.As incertezas e as expectativas eram muitas , passados estes três anos foi positiva a experiência , apesar de alguns incidentes negativos que me fizeram parar e pensar se valia a pena continuar com este espaço só meu, onde posso divagar as minhas loucuras .Hoje "avozdemaria"tem 24 seguidores e daqui faço um desafio a todos que gostam dos meus textos e da minha poesia  que visitem o meu blog e se façam meus seguidores.Daqui a um ano quando festejar o quarto aniversário espero marcá-lo com um evento que assinale a data e que todos nos possamos juntar e possamos confraternizar à sombra do aniversário da "avozdemaria" e cantar em uníssono :
parabéns, parabéns querida voz
nesta data querida
desejo-te felicidades
e muitos anos de vida
Hoje a Maria Galhoz está confusa e um pouco perdida , mas prometo que vou ultrapassar este mau momento e daqui a um ano estarei aqui rejuvenescida e feliz abrindo os braços para abraçar os meus amigos de coração aberto.
Façam comentários , mandem a vossa poesia, dêem sugestões, enfim sejam activos e façam chegar até mim as vossas opiniões.
Atrevo-me a terminar com um belo poema de Pablo Neruda:



Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.

Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Até já , sejam felizes.

PASSARINHO

Diz-me lá ó passarinho
porque estás a chilrear
o teu canto é de amargura
vem comigo conversar.

Contigo não vou falar
não mereces atenção
levaste os meus filhinhos
sem ter dó nem compaixão

Quando voltei ao meu ninho
encontrei a solidão
do rosto dos meus filhinhos
apenas recordação

Eu pecador me confesso
mas ouve com atenção
juro que não fui eu
foi alguém sem coração

Com franqueza eu digo
meu amigo passarinho
o homem ao pé de Ti
é muito pequenininho






osto ·  ·